quarta-feira, 28 de outubro de 2009


Começo sempre da mesma maneira.
Tantas vezes a mesma coisa.
Os sentimentos permanecem sempre os mesmos.
Escritas que parecem cópias.
Como uma criança que copia a lição várias vezes, também eu copio o meu sofrimento no papel.
Tal como uma criança que copia para não esquecer, também eu copio para lembrar cada sentimento, cada emoção emoção, cada lágrima. Por elas escrevo num papel desfeito, que nada guarda senão a emoção do momento.
As palavras tornam-se tão pequeninas que se transformam em pequenos pontos brilhantes que iluminam as longas noites de insónias.
Cada lembrança traz consigo palavras que tento memorizar. Memórias amarradas para sempre à minha alma. Memórias que a borracha do tempo quer apagar mas que o coração teima em gravar cada vez mais fundo.
Escrevo para quê e para quem?
Escrevo para me libertar, mas uma escrita no tempo errado.
Não se pode escrever nas folhas da vida. Cada dia que passa é uma folha que se dobra para não mais se poder utilizar.
Afinal tudo fica por escrever.

Caminho como sempre sózinha, levando ao meu lado a companhia da solidão.
Sinto-me perdida na imensidão da praia onde o silêncio só é quebrado com o murmúrio das ondas que choram por me ver chorar.
A força do vento faz-me sentir varrida de todas as emoções.
Sinto-me vazia.
Sinto-me acorrentada.
Levanto o meu olhar e as estrelas parecem movimentar-se num bailado mágico, numa dança imaginária.
A lua...essa sorri. Será para mim?
Magnífica com a seu brilho, estende-me um raio de luz como se de um tapete se tratasse.
Deixo-me guiar por esse caminho imaginário.
O mar estende-me os seus braços, salpica-me de mil gotas que disfarçam as que rolam dos meus olhos.
Como seria bom aconchegar-me, deixar-me levar pelos seus afagos.
O silêncio é quebrado pelo gemido da minha dor adormecida.
Olho para o céu.
As estrelas recolhem-se na luz do dia.
Como elas também eu me quero recolher e dormir.
Dormir, dormir num sono benevolente e acolhedor onde nada fica senão o esquecimento de mim mesma.