quinta-feira, 9 de julho de 2009


Atravessei um deserto onde os espinhos ressequidos pelo tempo se enterraram na minha alma.
Sinto-me rasgada, dilacerada, completamente aniquilada. Tento apanhar todos os pedacinhos espalhados ao longo do meu caminho. Pego em todos eles e, com cuidado para não destruir nenhum, tento juntá-los como se de um puzzle se tratasse.
Fico feliz…não perdi nenhum.
Cai-me uma lágrima!
Vou conseguir reconstruir o meu coração. Descubro agora que não sou só Inverno frio e cinzento.
Não sou só tristeza e solidão.
Mudo as cores da minha alma.
Pinto cada pedacinho do meu coração com as cores da Primavera, com as cores aniladas de um pôr de sol espelhado no oceano.
Salpico com umas gotas de magia, uns pingos de melancolia e uma pitada de riso.
Começo a viver!
Reconheço-me apenas por breves momentos.
Avisto agora o meu caminho de sonhos onde espero encontrar a esperança, a alegria…a vida.
Chega de dor!
Chega de desencanto!
Tenho que virar a página e arrumar no baú das recordações, a desilusão, a dor…o sofrimento.
Para isso só preciso de ter destemor!
Só preciso de ser EU!

segunda-feira, 6 de julho de 2009


Volto a sentir-me errante!
Tento escapar a este oceano fustigado por uma tempestade de sentimentos.
Tento a todo o custo expulsar as nuvens do meu trilho.
Solto as lágrimas num murmúrio! São elas que fazem acalmar este mar tumultuoso com que me defronto. Afogo no meu lamento todas as dores da minha alma. Deixo-me embalar por este mar que a cada momento se vai disfarçando para confundir os meus sentimentos. Anseio pelo dia em que esta chuva se modifique em minúsculos pingos de água onde se possa contemplar um arco-íris de mil cores.
Que neste espaço onde mora a tristeza, habite então a recordação de instantes que ficaram suspensos no tempo.
Que o meu olhar turvado pela chuva possa vislumbrar o horizonte, onde, um sol cintilante seja o aviso de um novo dia, de uma nova era.
Nesse dia, uma lágrima soltar-se-á para me fazer sorrir de tudo o que senti e cairá pela minha face até ao chão, transformando-se em salpicos de felicidade.
Nesse momento estará encerrado um capítulo da minha história. Com ele passei pelo inverno da vida onde escrevi as minhas páginas com o gelo do inverno, com o cinzento dos dias, perdendo até, em alguns momentos, a noção da existência das cores quentes do verão, das páginas de luz onde o sol aquece a cada momento a nossa alma.
Ainda não está encerrado este capítulo. Mas pouco a pouco estou a tentar aprender novas palavras, novas cores, novos sons. Um desafio para quem tudo esqueceu.
Estou a começar a lembrar-me…